Cultura
Outubro 21,2026
por Miguel Sousa
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O Paulo e o Daniel Cunha têm 17 anos e são gémeos. Na ópera rock «Vicente: Fogo e Fé», do TEATROSVICENTE, também são gémeos: Lúcio e Marco, dois soldados de Roma encarregados de prender Vicente. Mas, diante dele, os irmãos não olham da mesma maneira. Na vida, o Paulo e o Daniel cresceram lado a lado. "Em palco, vestem a mesma farda e marcham ao mesmo passo. Um cumpre o dever sem hesitar, convencido de que serve a ordem certa. O outro começa a ver as coisas de outra forma", refere a nota de imprensa que nos foi enviada. «Contracenar com o meu irmão é mais tranquilo. É alguém com quem estou quase sempre e com quem me sinto à vontade, e isso dá-me mais confiança a atuar. O Lúcio começa por cumprir ordens, mas ao longo da peça começa a questionar-se e a ver as coisas de outra maneira», conta Paulo Cunha. O Daniel dá corpo ao irmão que não duvida. "É interessante contracenar com o meu irmão: apesar de termos personagens diferentes, conseguimos trabalhar juntos e representar melhor a história», diz. E explica o Marco na voz da própria personagem: «Roma acolheu-me de corpo inteiro e deu-me, pela primeira vez, um lugar no mundo. Por isso, sinto-me leal a Roma", avança. Na vida, admitem os dois, pensam de maneira diferente em algumas coisas, mas acabam sempre por se entender. Em palco, os dois soldados não têm essa sorte. «Escrevi estes dois soldados a pensar no Paulo e no Daniel. Ninguém mostra melhor do que dois irmãos que a mesma farda não faz a mesma pessoa», afirma Carla Oliveira, criadora e encenadora do espetáculo. A organização declara que "uma das perguntas que o espetáculo deixa ao público: o que leva duas pessoas com a mesma origem e a mesma farda a escolher caminhos diferentes?" "Vicente: Fogo e Fé" não procura reconstituir a história. Olha São Vicente com os olhos de hoje e, através dele, interroga o nosso tempo", alude a nota de impren que sublinha que este espetáculo foi criado a "propósito dos 200 anos da Igreja de São Vicente". O espetáculo junta mais de "sessenta pessoas das Termas de São Vicente, dos 9 aos 72 anos, em teatro, música original ao vivo, canto coral e dança". O texto, as letras e a encenação são de Carla Oliveira. A música original é do padre Pedro Teixeira, que também interpreta Vicente. Fotografia de destaque: Diogo Rocha / TEATROSVICENTE
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