O escritor timorense, autor convidado da 19.ª edição do Festival Literário Escritária, Luís Cardoso, assumiu, esta sexta-feira de manhã, no Sameiro, no âmbito da inauguração das obras de arte pública e do descerramento do busto do escritor, da autoria de Ricardo Crista, que se sente verdadeiramente pequeno perante a dimensão que este festival já adquiriu a nível nacional e internacional.
“Aliás, quando o presidente da Câmara de Penafiel me contatou e me deu a notícia que tinha sido o autor homenageado da edição deste ano deste festival, fiquei a tremer porque é efetivamente uma responsabilidade acrescida ser o autor homenageado deste festival e suceder a outros nomes e figuras de dimensão nacional e internacional da literatura lusófona porque quem tenho admiração e respeito. Por tudo isto, sinto-me com o coração a tremer e com todas as atividades que tenho assistido, o cuidado e a atenção que me tem sido prestada. Posso até mesmo dizer que me sinto atrapalhado com as palavras tal o turbilhão de emoções que estou a sentir. Quem sou eu!”, disse.
Luís Cardoso relembrou, ainda, que este festival é, também, um veículo que além de dar a conhecer a cultura de Timor-Leste, pode constituir um motor para o desenvolvimento das autarquias de Timor-Leste, de que a cooperação que existe entre a Câmara de Penafiel e Lautém é já um exemplo.
“Quando cheguei a Portugal, em 74/75, Portugal era um país do terceiro mundo, não havia água canalizada, não havia escola, não havia estradas. Com a instalação do poder autárquico, Portugal é hoje um país completamente diferente. Ora, nós precisamos em Timor que o poder autárquico florescesse e é vital que haja uma cooperação com as autarquias portuguesas para o desenvolvimento de Timor-Leste. Cabe à autarquia de Penafiel continuar a manter e a reforçar essa cooperação com a autarquia de Lautém e é daí que advém o desenvolvimento, quando as pessoas podem escolher os seus representantes diretos para realizarem aquilo que são os anseios da população", atalhou.
O escritor homenageado da 19.ª edição do Festival Escritaria enalteceu, ainda, o contacto que foi estabelecendo ao longo da semana com as várias escolas e alunos, mostrando-se sensibilizado pelo facto de estes conhecerem a sua obra e até terem feito crítica literária de alguns dos seus livros.
“Verifiquei que os alunos conheciam os meus livros, fizeram criativa literária aos meus livros e isso é fabuloso”, frisou, salientando que é um orgulho para qualquer escritor ver a sua obra trabalhada e reconhecida por uma comunidade e por um festival como o que decorre em Penafiel.
“Nunca imaginei ser o homenageado de um festival como o Escritaria. Sou um escritor que pertence a uma realidade caseira, sou um escritor do meu bairro, agora sair do meu bairro e ser homenageado num festival destes é algo de fabuloso”, manifestou.
Além do descerramento do busto do escritor, da autoria de Ricardo Crista, o Festival Literário Escritaria inaugurou uma escultura assinada por José Melo e a designação de uma árvore escolhida pelo autor no Bosque do Escritaria.
Ao longo do percurso, o Saaraci Coletivo Teatral apresentou pequenos momentos performativos inspirados na escrita do homenageado.
O presidente da Câmara de Penafiel, Pedro Cepeda, reconheceu que o Escritaria é sempre um evento muito especial para Penafiel e este ano ainda mais com a presença de um escritor timorense.
“Luís Cardoso é um escritor que se caracteriza pela profundidade da sua obra, uma pessoa extraordinária que se entrega às suas causas, à literatura, à cultura. Depois de ter privado com o Luís Cardoso conseguimos perceber melhor a sua obra, a dedicação e profundidade que coloca nos seus textos”, frisou, salientando que esta é a primeira edição em que o evento é organizada de forma integral pela autarquia.
“A edição abrange todo o tipo de artes associadas à literaturas, Este ano conseguimos envolver mais a comunidade, os idosos, os alunos, as IPSS`s o que nós dá coragem para continuar. Queremos trazer a cultura a Penafiel e que Penafiel seja o farol da lusofonia”, assegurou, relevando a dimensão internacional deste festival.
“O Escritaria há cinco, seis edições que tem vindo a adquirir uma dimensão internacional. Aliás, foi realizado em Cabo Verde, Angola, esse processo começou com o anterior presidente da Câmara de Penafiel, Antonino de Sousa, e queremos continuar com ele”, asseverou, sublinhando que a autarquia está apostada em continuar a defender a promoção da língua e cultura dos escritores lusófonos.
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