Cultura
Dezembro 02,2025
por Miguel Sousa
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Para o primeiro trimestre de 2026, o Ponto C - Cultura e Criatividade, vai apresenta 25 propostas de teatro, música, dança, stand-up, cinema e infantojuvenil, mas também exposições, oficinas, residências artísticas e encontros com os artistas. O Ponto C destaca em comunicado, que “na rota das digressões internacionais e nacionais, de artistas de renome e companhias de referência, não descura o contacto com as estruturas locais nem com a comunidade, abrindo as portas à tradição, mas também aos jovens”. “À entrada em 2026, quisemos dar um cunho de continuidade, na diversidade programática e na qualidade das propostas. Sejam dança, música, teatro e pensamento, vir ao Ponto C é aproveitar momentos bem passados e também ser desafiado” afirma Mónica Guerreiro, diretora artística do Ponto C. “Por outro lado, introduzimos algumas novidades, que ainda não tínhamos tido ocasião de programar, como stand-up, teatro no cinema e uma performance duracional, que vão, certamente, agradar a um público que tem um gosto eclético ao qual procuramos corresponder. Os temas das singularidades, do caráter cíclico da história e da saúde mental, esses, mantêm-se”, adianta, ainda Mónica Guerreiro. O ano começa, como dita a tradição, com o Concerto de Reis, dia 10 de janeiro, pela Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, com direção artística de António Vieira e a cantora Anabela como solista convidada. No dia seguinte, o Encontro de Cantares de Janeiras terá lugar nas ruas de Penafiel com a participação de dezenas de grupos de cantares e coletividades penafidelenses. Ainda nesse fim-de-semana, no âmbito do Auto dos Reis Magos na aldeia de Figueira, é remontado e apresentado o espetáculo “Estações Efémeras Penafiel”, do Leirena Teatro com a comunidade. No dia 16 de janeiro, está agendado um espetáculo de dança e vídeo, no Ponto C, que aborda as “transformações causadas pelo VIH. “UNA”, com criação e interpretação de Teresa Fabião, relata uma história de resiliência com vista a combater perceções imprecisas e desconstruir preconceitos”. Ao espetáculo segue-se uma conversa com Teresa Fabião, moderada pela crítica de dança Rita Xavier Monteiro. A rapper e compositora Capicua regressa a Penafiel, dia 18 de janeiro, com “Mão Verde”, “projeto que partilha com Pedro Geraldes, Francisca Cortesão e António Serginho”. “Ecologia, consumo consciente e agricultura são temas centrais deste projeto que convida verdes e maduros a dançar e aprender mais sobre ervas, borboletas e fruta da época. Neste concerto, além das canções mais conhecidas, serão apresentados temas inéditos do novo disco que o grupo está a preparar”, lê-se no comunicado que o Ponto C nos facultou. “Inspirada no universo do poeta Al Berto, “Noite”, da companhia Circolando, a 24 de janeiro, propõe uma viagem em dança por diferentes dimensões: o avesso do dia, limite, desafio, superação, excesso e libertação. Num cenário com quase uma centena de pneus, criam-se espaços que acolhem náufragos e emoções, quando a noite se torna território para novas claridades”, acrescenta o mesmo comunicado. A 30 de janeiro, a peça “Historiadores”, do Teatro do Vestido, reflete sobre a “relação entre o conhecimento e os tempos que vivemos, questionando o desinteresse pela História no século XXI, a sua importância na sociedade e o retrato político que os manuais escolares oferecem”. Com direção de Joana Craveiro e música ao vivo de Francisco Madureira, utiliza uma abordagem do teatro documental para explorar a conexão entre o passado e o presente. Em fevereiro, dia 6, regressa o Ballet do Douro com “O Amor das Pedras”, um bailado de Sílvia Boga entre a literatura e o movimento. “Partindo de um conto de Pedro Rodriguez Villar, vencedor do programa transfronteiriço Nortear, a peça fala sobre um amor etéreo e a força da Natureza, fundindo literatura e dança num espetáculo de grande força plástica”, reforça o Ponto C No dia 7, o Ponto C acolhe a peça “Não se pode, não se pode!”, encenação de Catarina Requeijo e produção do Teatro Nacional D. Maria II, depois de uma semana a visitar as creches e IPSS do concelho. “A peça conta a história de dois cães de guarda que passam o dia a patrulhar um quintal, mas se veem obrigados a alterar as regras perante a presença de um gato vadio”, alude o Ponto C que salienta que o “humorista António Raminhos apresenta-se pela primeira vez no Ponto C, dia 7, com “Volto Já”, um espetáculo onde debate receios e absurdos relacionados com a finitude e procura fazer algum sentido deste mundo onde inexplicavelmente ainda não se inventou antídoto para a morte”. Dia 13, Penafiel recebe a digressão dos “ingleses These New Puritans, os irmãos Jack e George Barnett”. “Na bagagem trazem o mais recente “Crooked Wing”, álbum que consolida a reputação pela abordagem visionária e experimental que desafia a categorização. Disco após disco, têm desenvolvido um som que desafia as leis que se aplicam ao formato clássico de canção”, alude o mesmo comunicado. No âmbito do Festival Montepio Às Vezes o Amor, a 14 de fevereiro, “Rui Massena apresenta a solo, ao piano, “Parent's House”. A composição evoca um “universo nostálgico e introspetivo e o pianista e compositor convida o público para uma viagem pelo seu álbum de recordações familiares, entre a memória e o futuro”. Pela primeira vez, o Ponto C recebe uma “performance duracional – onde o público pode entrar e sair, de 12 horas distribuídas por dois dias, 21 e 22 de fevereiro”. “ Com entrada gratuita, “The Complete National Anthems of the World”, de Carlos Azeredo Mesquita, reúne quase 300 hinos (de países reconhecidos pela ONU, de regiões autónomas, de organizações internacionais e até estados já extintos) cantados em gravações a cappella e acompanhados por músicos de banda filarmónica que marcham e tocam”, esclarece a nota informativa. “A peça problematiza os conceitos de hino e de nação, ao mesmo tempo que ativa um sorteio de comida e bebida, cuja oferta – pão e água ou marisco e vinho do Porto vintage – espelha as desigualdades simbólicas associadas ao poder dos passaportes no mundo global”, sustenta o Ponto C. “Também a 21 e 22, “Como desenhar uma filha nua”, com texto e encenação de Jorge Palinhos para a Visões Úteis, inspira-se nos clubes de leitura, no ato profissional de ler relatórios em grupo e na fronteira ténue entre factos e perceções”, assevera a mesma nota informativa. Trata-se de uma “peça teatral interativa que explora as possibilidades da comunicação, da leitura em voz alta e do design como ferramentas de expressão”. No final do mês, dia 27, o Conservatório de Dança do Vale do Sousa apresenta “Matilda” com direção de Margarida Garcez. “ Um musical baseado no livro com o mesmo nome, de Roald Dahl, conta a história de uma menina brilhante e cheia de imaginação, mas negligenciada pelos pais. Com a sua inteligência e poderes magníficos, desafia as injustiças e descobre que a verdadeira força está dentro de nós, transformando o seu destino e o de quem a rodeia”, declara a instituição. Do dramaturgo e encenador congolês Dieudonné Niangouna, traduzida pela poeta Regina Guimarães, “Kung-Fu”, da Público Reservado, apresenta-se no Cinemax de Penafial, dias 28 de fevereiro e 1 de março, com entrada gratuita. Em cena, um ator discorre sobre o amor obsessivo pela arte marcial que conheceu através dos filmes de kung-fu. A 6 de março, da companhia Teatro Meia Volta… chega “Empregos Modernos”, com texto de Chris Thorpe. “Através de um coro de trabalhadores, a peça discute as formas contemporâneas de trabalho e as relações de poder que delas resultam, e que acabam por gerar hierarquias específicas e distintas entre cidadãos”, lê-se, ainda, a mesma nota, que concretiza que “embora fonte de riqueza e reconhecimento, o trabalho é também o centro de tensões e desigualdades sociais”. No dia seguinte a “Casa da Caturrra continua a mostrar representantes da música urbana em Penafiel. Nesta segunda sessão os convidados são Each1 (Rui Peres), Gabi (Gabriela Lima), Godzi e Liga Multiversus”. De Paredes, os Regressados de Fresco voltam a juntar-se para uma noite de festa no Ponto C, dia 13. “Ao vivo, a banda vai revisitar clássicos do rock das últimas décadas, de autores como Elvis Presley, Moody Blues, John Lennon, Frank Sinatra, António Variações, Vitorino e Resistência. Uma celebração da música que resistiu ao tempo, das vozes que ecoam na memória coletiva e das melodias que continuam a fazer parte da história”, acrescenta a nota informativa. A 14 de março, a Orquestra Sem Fronteiras, sob direção musical de Martim Sousa Tavares, apresenta ““Speak Low”. Um concerto encenado ou uma peça de teatro com canções, este espetáculo centra-se na figura e no tempo de Kurt Weill – e no seu percurso ao mesmo tempo trágico e fascinante”, contado e cantado pela atriz Catarina Wallenstein, conta com projeção filmográfica e música ao vivo, incluindo uma dúzia de temas do cancioneiro do compositor alemão. Entre 20 e 23, são apresentadas as pelas “As árvores não têm pernas para andar” e “Pássaros & Cogumelos”, de Joana Gama. No dia 21, a coreógrafa cubana Sandra Ramy apresenta “A Sagração da Primavera”, a partir da obra de Nijinsky, de 1913, um “solo para um bailarino cuja imagem aparece multiplicada por nove espelhos, estabelece um cruzamento entre o individual e o coletivo”. O programa completa-se com a projeção da curta-metragem "La Valse", de João Botelho, produção da Companhia Nacional de Bailado com coreografia de Paulo Ribeiro. A 27 de março, um espetáculo sobre a memória e a sua ausência. “Brancas Memórias”, da Astro Fingido, partilha a perspetiva do ator que vive a angústia perante uma ‘branca’, o medo de não conseguir memorizar um texto e a realidade da perda de memória na terceira idade. Manel Cruz apresenta no Ponto C o resultado de dias de trabalho em equipa. Propondo-se a introduzir desafios ao espetáculo a solo “Cru”, pretende dar-lhe um novo tempero. Além do concerto, marcado para 2 de abril, haverá lugar a um encontro com o músico, dia 30 de março, moderado pelo arquiteto Nuno Melo Sousa. Exposições de fotografia e pintura Mantém-se patente a exposição “Punctum – o jazz em palco”, de Márcia Lessa, com imagens de concertos. Inspirado no conceito do livro “Câmara Clara” de Roland Barthes, o título remete ao punctum: o detalhe que nos “atinge”, “fere” ou “toca” a um nível profundo e intensamente pessoal. Para ver, nos átrios do Ponto C, até dia 14 de fevereiro. A 6 de março inaugura a exposição “Sargaceiros – Entre o Mar e a Terra”, da penafidelense Carla Anjos. Pinturas que retratam a vida e o trabalho dos sargaceiros da Apúlia e de Carreço de Viana do Castelo, figuras emblemáticas da costa portuguesa. Em cada obra, a artista captura o ritmo do trabalho, a dureza da faina e a beleza das paisagens atlânticas. Oficinas de dança, fotografia e saúde O estímulo da criatividade é um dos propósitos do serviço de comunidade e, desde que abriu as portas, o Ponto C tem uma oferta formativa variada, de proximidade e gratuita. Oficinas pontuais ou continuadas, ensaios orientados por profissionais, sessões de formação teóricas e práticas. Os interessados devem inscrever-se através do mail info@pontocpenafiel.pt. Em janeiro, dia 18, realiza-se uma Oficina de Fotografia com Márcia Lessa. A partir da sua exposição patente no Ponto C, dará uma formação teórico-prática em fotografia de cena, abordando as particularidades e condições de realização, especialmente nos eventos ao vivo, com e sem público. Não é requerida experiência prévia e cada participante deve trazer o seu próprio material (uma câmara que funcione em modo manual – telemóveis não são aceites). A 22 de janeiro realiza-se a Oficina de Dança com André Braga, da companhia Circolando. Convida-se cada participante (estudante ou profissional das artes performativas) a encontrar o seu imaginário, através da descoberta do prazer da dança, na relação com o espaço, o chão, o outro, os objetos e as memórias sensoriais. A 27 de março, uma Oficina de Saúde, destinada a cuidadores informais de pessoas com Alzheimer. A iniciativa inclui conselhos sobre práticas de autocuidado e estratégias para prevenir burnout, bem como momentos de diálogo aberto para troca de experiências e construção de redes de suporte, combinando apresentação de conteúdos, exercícios práticos e momentos de conversa e escuta ativa, essenciais para valorizar o papel do cuidador e dar-lhe voz. Fotografia de destaque: DR/Ponto C
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