Cultura
Setembro 04,2026
por Miguel Sousa
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O TeatroSvicente - Grupo de Teatro Amador das Termas S. Vicente vai assinalar as comemorações dos 200 anos da igreja que lhe é dedicada nas Termas de S. Vicente, em Penafiel, com um novo projeto cultual multidisciplinar, numa produção original que cruza teatro, seis temas musicais originais, música ao vivo, canto coral, dança e imagem, reunindo diferentes gerações e várias estruturas artísticas da comunidade. Carla Oliveira, do O TeatroSvicente - Grupo de Teatro Amador das Termas S. Vicente, destacou, em declarações ao “O Penafidelense” a ideia de avançar com este novo projeto cultural surgiu quando o grupo começou a pensar numa forma diferente de assinalar os 200 anos da igreja dedicada a São Vicente, nas Termas de S. Vicente. “Desde o início houve uma decisão muito clara: não queríamos fazer apenas uma evocação histórica ou uma celebração pontual. Queríamos criar uma obra nova, que partisse da nossa identidade e da nossa memória, mas que tivesse uma linguagem contemporânea e fosse capaz de envolver artisticamente a comunidade”, disse. “Foi assim que o projeto começou a ganhar forma como uma criação integralmente original, desenvolvida de raiz. O conceito, o guião, as seis músicas e toda a construção cénica foram concebidos especificamente para esta obra. O próprio guião foi escrito desde o início a pensar na integração das várias linguagens artísticas - teatro, música, canto coral, dança, movimento cénico e imagem - para que todas fizessem parte da mesma narrativa e não surgissem como elementos acrescentados posteriormente”, salientou. Carla Oliveira esclareceu que o projeto irá abordar temas muito atuais e universais, como a coragem, a resistência, a liberdade de consciência, a justiça, a dignidade humana, entre outros. “O projeto parte da vida e do legado de São Vicente, mas não pretende fazer uma simples reconstituição histórica. Vamos abordar temas muito atuais e universais, como a coragem, a resistência, a liberdade de consciência, a justiça, a dignidade humana, a compaixão, a atenção aos mais frágeis, a fé e a memória. Artisticamente, estamos a construir uma obra que cruza teatro, música original interpretada ao vivo, canto coral, dança, movimento cénico e imagem. E talvez uma das características que mais nos entusiasma seja precisamente essa: não estamos a adaptar um texto existente nem a recorrer a músicas de repertório. Tudo foi pensado e criado especificamente para esta obra, desde o primeiro momento. Ainda assim, há bastante sobre o formato final que queremos guardar para revelar no momento certo”, expressou. Carla Oliveira realçou, ainda, que este é um trabalho que envolve um vasto número de pessoas e instituições da comunidade. “Estamos a falar de uma produção com uma dimensão muito significativa. Neste momento são 54 pessoas diretamente em palco: 18 atores, 15 elementos do Grupo Coral, 9 músicos e 12 bailarinas. A estas juntam-se todas as pessoas que trabalham na encenação, direção musical, cenografia, figurinos, caracterização, vídeo, direção técnica, produção e restantes áreas de apoio”, frisou. “O projeto reúne o TEATROSVICENTE, a InspiraSom - Academia de Música, o Grupo Coral da Paróquia de São Vicente de Pinheiro e a Urban Beat - Escola de Dança, além do envolvimento de outras entidades e parceiros do território. E há uma coisa que nos tem marcado muito neste percurso: sempre que abordámos os diferentes parceiros, encontrámos entusiasmo pelo projeto. Sentimos que perceberam imediatamente aquilo que estávamos a tentar construir e que estão verdadeiramente empenhados, diria mesmo, de corpo e alma. Isso nota-se nos ensaios, na disponibilidade, nas ideias que vão surgindo e na vontade coletiva de fazer deste projeto algo especial”, concretizou, ainda. A encenadora Carla Oliveira adiantou, ainda, que a apresentação pública está prevista para dezembro de 2026. “Mas estamos a fazer questão de revelar o projeto de forma progressiva. Há ainda muito por conhecer: o título, o formato, o protagonista - cuja escolha acreditamos que vai surpreender e mobilizar muitas pessoas - e vários outros elementos da criação. Queremos que o público vá descobrindo o projeto aos poucos e sentindo que acompanha o seu nascimento, em vez de receber toda a informação de uma só vez”, avançou, sustentando estar expectante que a comunidade irá rever-se neste novo projeto cultural. “São Vicente está no nome da nossa terra, na nossa igreja, na nossa história e na memória de várias gerações. Mas quisemos ir mais longe: em vez de apenas contar uma história à comunidade, quisemos colocar a própria comunidade dentro da história. É por isso que temos atores, músicos, cantores e bailarinos de diferentes gerações a partilhar o mesmo processo e, mais tarde, o mesmo palco. O entusiasmo que sentimos nos parceiros e em todas as pessoas que se foram juntando ao projeto dá-nos também muita confiança. Há um verdadeiro sentimento de pertença a crescer. Espero que quem assistir reconheça ali elementos da sua própria identidade, mas que seja também surpreendido pela forma contemporânea como essa memória será apresentada”, asseverou, ainda. Falando do feedback que espera obter do público, a encenadora do TEATROSVICENTE foi perentório em responder que gostava, acima de tudo, que houvesse surpresa. “Que alguém entre a pensar que vai assistir a uma determinada forma de contar a história de São Vicente e perceba, nos primeiros minutos, que está perante algo que não estava à espera. Gostava que o público fosse tocado pela música, pelas imagens, pelo movimento, pela dimensão coletiva e, sobretudo, pela humanidade da história. E gostava especialmente que os mais novos percebessem que o património e a memória não têm de ser coisas paradas no tempo. Podem viver numa guitarra, numa bateria, numa voz, numa coreografia, numa imagem ou num palco. Se conseguirmos que as pessoas saiam com vontade de falar sobre o que viram, de perguntar mais sobre São Vicente e de sentir orgulho naquilo que foi criado a partir deste território, teremos cumprido uma parte muito importante do nosso objetivo”, manifestou. Carla Oliveira recordou, ainda, que a multidisciplinaridade e a articulação entre várias disciplinas estão na génese e na essência deste projeto. “Acredito que não só corresponderá como é a própria essência do projeto. Essa articulação não surgiu depois. Está na génese da obra. O guião foi escrito desde o início a pensar no teatro, na música, no coro, na dança, no movimento e na imagem como partes da mesma narrativa. A música não está apenas a acompanhar o teatro. A dança não está apenas a ilustrar uma canção. O coro não aparece apenas para cantar. Cada linguagem tem uma função própria dentro da história. Naturalmente, coordenar tantas pessoas, sensibilidades e áreas artísticas é um enorme desafio. Mas tem sido muito gratificante perceber que todas as estruturas que convidámos a participar abraçaram o projeto com enorme entusiasmo e estão profundamente comprometidas com aquilo que estamos a construir. Acreditamos que é precisamente essa entrega coletiva que vai fazer a diferença quando todas estas linguagens finalmente se encontrarem em palco”, afirmou. Falando da memória e no legado de São Vicente, Carla Oliveira relembrou que São Vicente está na origem de tudo, não sendo objetivo deste projeto apresentá-lo apenas como uma figura histórica distante. “Interessou-nos sobretudo perguntar: o que pode esta figura continuar a dizer-nos hoje? A fidelidade às convicções, a resistência perante a opressão, a defesa da dignidade humana, a atenção aos mais frágeis, a compaixão e a capacidade de permanecer fiel àquilo em que se acredita atravessam toda a obra. A memória terá também uma presença muito particular na narrativa, quase como uma personagem que atravessa gerações”, explicou. “No fundo, o projeto fala também daquilo que recebemos de quem veio antes de nós e da responsabilidade de o transmitir a quem vem depois. Talvez seja essa uma das perguntas que queremos deixar ao público: como é que uma história com tantos séculos pode continuar viva hoje? E é também por isso que gostaríamos muito que O Penafidelense continuasse deste lado, a acompanhar-nos. Ainda há bastante por revelar e teremos muito gosto em ir partilhando convosco os próximos passos, desde os ensaios às diferentes revelações que estão preparadas para os próximos meses”, atalhou. “Nesta fase optámos por ainda não revelar a imagem oficial do projeto, apesar de ela já estar criada. Queremos que essa revelação aconteça no momento certo e faça parte da própria narrativa de comunicação que estamos a construir”, anuiu ainda. Além o TEATROSVICENTE, este projeto cultural conta com a colaboração da InspiraSom - Academia de Música, o Grupo Coral da Paróquia de São Vicente de Pinheiro e a Urban Beat - Escola de Dança, numa colaboração que articula criação teatral, música, canto e movimento. Fotografia de destaque: DR/TeatroSVicente
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