Nuno Brochado é recandidato à presidência da direção da Associação Empresarial de Penafiel (AEP), cujas eleições estão agendadas para 31 de março.
Nesta entrevista ao jornal “O Penafidelense”, Nuno Brochado elenca os motivos que o levaram a avançar para novo escrutínio, faz um balanço realizado no último mandato e aponta os desafios da digitalização, o desenvolvimento tecnológico, assim como a qualificação dos recursos humanos como eixos determinantes para continuar a consolidar o tecido empresarial no território num contexto, cada vez mais, marcado pela competitividade e aposta na inovação.
Jornal “O Penafidelense” - Vai avançar para uma nova recandidatura à presidência da direção da Associação Empresarial de Penafiel?
Nuno Brochado: Sim, vou avançar com uma recandidatura à presidência da Direção da Associação Empresarial de Penafiel. Esta decisão resulta, antes de mais, do sentido de responsabilidade para com o trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos e do compromisso que assumimos com os empresários do concelho.
Desde 2020 temos procurado afirmar a associação como uma entidade cada vez mais próxima das empresas, promovendo iniciativas de apoio ao tecido empresarial, apostando na inovação, na capacitação e na criação de oportunidades para os empresários de Penafiel. Considero que este trabalho deve ter continuidade, consolidando projetos já iniciados e lançando novas iniciativas que reforcem a competitividade das nossas empresas.
Esta recandidatura representa, acima de tudo, a vontade de continuar a trabalhar em conjunto com os empresários, contribuindo para que Penafiel se afirme cada vez mais como um território dinâmico, empreendedor e atrativo para investir e criar valor.
Jornal “O Penafidelense” - Quais as razões que o levaram a avançar com esta recandidatura?
Nuno Brochado: Esta recandidatura surge, assim, com o objetivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido, reforçar a estrutura da associação e continuar a construir uma AEP cada vez mais forte e próxima das empresas.
Nos últimos anos temos desenvolvido um trabalho consistente de proximidade com o tecido empresarial, lançando projetos relevantes e criando novas dinâmicas de apoio às empresas do concelho. Naturalmente, existem ainda vários projetos em curso que consideramos importantes consolidar e levar mais longe.
Acresce também que, recentemente, a associação vai atravessar um momento de mudança na sua estrutura operacional, com a saída de um elemento que desempenhava funções relevantes. Perante essa circunstância, entendi que este não seria o momento adequado para virar as costas à instituição. Pelo contrário, sinto que é importante garantir estabilidade, continuidade e liderança nesta fase, para que a associação continue a cumprir a sua missão de apoio aos empresários de Penafiel.
Jornal “O Penafidelense” – Que balanço faz do seu mandato à frente da associação?
Nuno Brochado - Faço um balanço globalmente muito positivo do trabalho desenvolvido ao longo destes anos à frente da Associação Empresarial de Penafiel. Foi um período marcado por desafios significativos, mas também por uma grande capacidade de adaptação e de mobilização em torno do apoio às empresas do concelho.
Procurámos reforçar o papel da associação como um parceiro próximo dos empresários, criando iniciativas que contribuíssem para a capacitação, a inovação e a modernização do tecido empresarial. Nesse percurso, destacaria projetos como o Pen-X-Lab, que introduziu uma abordagem inovadora de partilha de conhecimento e estímulo à inovação entre empresas.
Ao mesmo tempo, a associação procurou assumir uma postura ativa na identificação de oportunidades de financiamento e na criação de iniciativas que valorizassem a atividade económica local. Mais do que tudo, creio que conseguimos afirmar a AEP como uma entidade dinâmica, presente no terreno e comprometida com o desenvolvimento empresarial de Penafiel.
Naturalmente, há ainda muito trabalho por fazer, e é precisamente essa ambição de continuar a melhorar e a reforçar o apoio às empresas que motiva esta recandidatura.
Jornal “O Penafidelense” – Quais os desafios com que a associação está confrontada?
Nuno Brochado - Associação Empresarial de Penafiel enfrenta hoje um conjunto de desafios que, em grande medida, refletem também as transformações que o próprio tecido empresarial está a viver. As empresas atravessam um contexto cada vez mais exigente, marcado por uma forte competitividade, pela necessidade de adaptação tecnológica, pela escassez de recursos humanos qualificados e por um enquadramento económico em constante mudança.
Neste cenário, um dos principais desafios da associação passa por continuar a reforçar a sua capacidade de apoiar as empresas de forma prática e próxima, ajudando-as a identificar oportunidades de financiamento, a adaptar-se aos processos de transição digital e a investir na qualificação dos seus recursos humanos.
Outro desafio importante prende-se com a capacidade de mobilizar e envolver cada vez mais empresários na dinâmica associativa, reforçando a cooperação entre empresas e criando espaços de partilha de conhecimento e de boas práticas.
Ao mesmo tempo, é essencial que a associação continue a afirmar-se como um interlocutor relevante junto das entidades públicas e das instituições da região, contribuindo para criar melhores condições para o desenvolvimento económico e empresarial de Penafiel.
Jornal “O Penafidelense” – A aposta na inovação, no desenvolvimento tecnológico e transição digital são vetores que pretende continuar a privilegiar?
Nuno Brochado - Sem dúvida. A inovação, o desenvolvimento tecnológico e a transição digital são hoje fatores determinantes para a competitividade das empresas e, por isso, continuarão a ser prioridades estratégicas da Associação Empresarial de Penafiel.
As empresas enfrentam atualmente mercados cada vez mais exigentes e competitivos, onde a capacidade de inovar, de incorporar tecnologia e de adaptar processos produtivos e organizacionais faz muitas vezes a diferença. Nesse sentido, a associação tem procurado criar iniciativas que ajudem os empresários a acompanhar estas transformações e a preparar as suas empresas para os desafios da economia digital.
Projetos como o Pen X Lab são exemplo dessa visão, ao promoverem espaços de partilha de conhecimento, de contacto com novas tendências e de estímulo à inovação empresarial. No próximo mandato queremos continuar a aprofundar este caminho, criando novas oportunidades de capacitação e incentivando as empresas de Penafiel a integrar a inovação e a tecnologia nas suas estratégias de crescimento.
Jornal “O Penafidelense” – Como carateriza o tecido empresarial do concelho?
Nuno Brochado - O tecido empresarial de Penafiel caracteriza-se sobretudo pela sua forte ligação ao território e pela diversidade de setores de atividade que aqui encontramos. O concelho tem uma presença muito significativa de pequenas e médias empresas, muitas delas com uma longa tradição familiar, que ao longo dos anos têm contribuído de forma decisiva para a criação de emprego e para a dinâmica económica local.
Ao mesmo tempo, temos assistido ao surgimento de novas empresas e projetos empresariais que trazem uma visão mais contemporânea e orientada para novos mercados, o que demonstra que existe em Penafiel uma cultura empreendedora bastante viva.
Diria que uma das principais forças do nosso tecido empresarial está precisamente nesta combinação entre experiência acumulada e capacidade de renovação. Cabe-nos, enquanto associação empresarial, continuar a criar condições para que estas empresas possam crescer, cooperar entre si e afirmar cada vez mais Penafiel como um território competitivo na região do Tâmega e Sousa.
Jornal “O Penafidelense” – Quais as debilidades que este enfrenta?
Nuno Brochado - Como acontece em muitos territórios com forte predominância de pequenas e médias empresas, também o tecido empresarial de Penafiel enfrenta alguns desafios estruturais que importa reconhecer e trabalhar. Um deles prende-se com a dimensão de muitas empresas, que por vezes limita a sua capacidade de investimento, de internacionalização e de acesso a determinados recursos.
Outro aspeto que tem vindo a ganhar relevância é a dificuldade em atrair e reter recursos humanos qualificados, uma realidade que afeta diversos setores de atividade e que exige respostas articuladas entre empresas, instituições de ensino e entidades públicas.
Acrescem ainda desafios relacionados com os custos de contexto e com a crescente exigência dos mercados, que obrigam as empresas a adaptar-se constantemente, seja ao nível da inovação, da organização interna ou da procura de novos mercados.
Perante este cenário, é fundamental continuar a criar mecanismos de apoio, promover a cooperação entre empresas e reforçar o papel das associações empresariais enquanto plataformas de proximidade, capazes de ajudar os empresários a encontrar soluções e novas oportunidades de crescimento.
Jornal “O Penafidelense” – Quais as áreas que considera serem determinantes potenciar?
Nuno Brochado - Existem várias áreas que considero determinantes potenciar para reforçar a competitividade das empresas de Penafiel. Desde logo, a qualificação dos recursos humanos, que é um fator essencial para aumentar a capacidade de inovação e adaptação das empresas num contexto económico cada vez mais exigente.
Outra área importante é o reforço da cooperação entre empresas e instituições, criando redes de colaboração que permitam partilhar conhecimento, gerar novas oportunidades de negócio e fortalecer o posicionamento das empresas no mercado.
É igualmente fundamental continuar a apostar na valorização do território e na promoção de Penafiel como um concelho atrativo para investir e empreender. Isso passa por criar instalação de novos projetos empresariais.
Por fim, considero importante continuar a promover iniciativas que aproximem os empresários, estimulem a partilha de experiências e reforcem o espírito de comunidade empresarial que tem vindo a crescer no concelho.
Jornal “O Penafidelense – A aposta na formação profissional é para prosseguir?
Nuno Brochado - Sim, a aposta na formação profissional é claramente uma área para continuar e reforçar. A qualificação das pessoas é um fator decisivo para o crescimento das empresas e para a capacidade de adaptação a um mercado cada vez mais exigente e competitivo.
Ao longo dos últimos anos, a Associação Empresarial de Penafiel tem procurado desenvolver iniciativas de formação ajustadas às necessidades reais das empresas do concelho, contribuindo para a valorização dos trabalhadores e para o reforço das competências nas organizações.
No futuro, queremos continuar a aprofundar esse trabalho, procurando identificar novas áreas de formação que respondam às exigências do mercado e promovendo programas que ajudem as empresas a preparar os seus recursos humanos para os desafios da economia atual. Acreditamos que investir nas pessoas é também investir na competitividade e na sustentabilidade das empresas.
Jornal “O Penafidelense” – Considera vital as empresas ganharem escala no sentido de fazer face aos desafios com que estão confrontadas e de forma a fazerem face ao mercado global, à inovação, à transição energética ou à transformação digital?
Nuno Brochado - Sim, considero que ganhar escala é um fator cada vez mais importante para muitas empresas, sobretudo num contexto económico marcado por uma forte competitividade, por exigências crescentes ao nível da inovação e por desafios como a transição energética e a transformação digital.
A dimensão empresarial pode permitir maior capacidade de investimento, acesso a novos mercados e melhores condições para incorporar tecnologia, desenvolver novos produtos e reforçar a presença em cadeias de valor mais amplas. No entanto, ganhar escala não significa necessariamente que todas as empresas tenham de crescer de forma isolada.
Em muitos casos, essa escala pode também ser alcançada através da cooperação entre empresas, da criação de parcerias estratégicas, de redes de colaboração ou de projetos conjuntos que permitam partilhar recursos, conhecimento e oportunidades de negócio.
Nesse sentido, a Associação Empresarial de Penafiel tem também um papel importante na promoção dessas dinâmicas de colaboração, ajudando a aproximar empresas e a criar condições para que possam enfrentar de forma mais sólida os desafios do mercado global.
Jornal “O Penafidelense” – De que forma é que a inteligência artificial poderá impactar com a realidade das empresas do concelho?
Nuno Brochado - A inteligência artificial representa uma das transformações tecnológicas mais marcantes da atualidade e terá, inevitavelmente, impacto na forma como muitas empresas organizam os seus processos, tomam decisões e se relacionam com os mercados.
Para muitas empresas, a inteligência artificial poderá traduzir-se em ganhos de eficiência, na automatização de tarefas, na melhoria da análise de dados e numa maior capacidade de resposta às necessidades dos clientes. Mesmo em empresas de menor dimensão, começam já a surgir aplicações práticas que podem ajudar a otimizar processos, melhorar a gestão ou reforçar a competitividade.
Naturalmente, esta é também uma área que levanta novos desafios, desde logo ao nível da qualificação dos recursos humanos e da capacidade de adaptação das organizações a estas novas ferramentas.
Nesse sentido, considero que é importante que as empresas do concelho acompanhem estas tendências e procurem compreender de que forma a inteligência artificial pode ser integrada na sua atividade. As associações empresariais podem ter aqui um papel relevante, promovendo momentos de informação, capacitação e partilha de boas práticas que ajudem os empresários a tirar partido destas novas oportunidades.
Jornal “O Penafidelense” – Considera que o Portugal 2030 poderá ser mais uma oportunidade para estimular a economia portuguesa, fomentar a transição climática e a digitalização?
Nuno Brochado - Sim, considero que o Portugal 2030 representa uma oportunidade importante para estimular a economia, apoiar a modernização das empresas e acelerar processos fundamentais como a transição climática e a digitalização.
Estes instrumentos de financiamento podem desempenhar um papel relevante no reforço da competitividade do tecido empresarial, permitindo às empresas investir em inovação, em tecnologia, em eficiência energética e em novos modelos de negócio mais sustentáveis.
No entanto, é igualmente importante garantir que estes programas são acessíveis às empresas, sobretudo às pequenas e médias empresas, que constituem a base do nosso tecido económico. Para muitas delas, o acesso à informação, o acompanhamento técnico e a simplificação dos processos são fatores determinantes para conseguirem aproveitar plenamente estas oportunidades.
Nesse sentido, as associações empresariais têm também um papel relevante, ajudando a esclarecer os empresários, a divulgar os apoios disponíveis e a apoiar as empresas na identificação de projetos que possam beneficiar destes instrumentos de financiamento.
Jornal “O Penafidelense” - Que palavra gostaria de deixar aos empresários do concelho?
Nuno Brochado - Aos empresários de Penafiel gostaria de deixar, antes de mais, uma palavra de reconhecimento pelo papel fundamental que desempenham na economia do concelho.
São as empresas e os empresários que criam emprego, geram riqueza e contribuem diariamente para a vitalidade económica e social do nosso território.
Vivemos tempos exigentes, marcados por constantes mudanças e novos desafios, mas também por oportunidades que importa saber aproveitar. Acredito que o espírito empreendedor, a capacidade de trabalho e a resiliência que caracterizam os empresários de Penafiel continuarão a ser determinantes para afirmar o nosso concelho como um território dinâmico e competitivo.
A Associação Empresarial de Penafiel continuará a estar ao lado das empresas, disponível para apoiar, ouvir e trabalhar em conjunto na construção de um tecido empresarial cada vez mais forte, inovador e preparado para o futuro.
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