Região
Outubro 07,2026
por Miguel Sousa
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A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) está preocupada com um possível “colapso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, se nada for feito” e insiste que "há vários anos tem vindo a alertar que o encerramento elevado de camas ia acontecer”. “Na passada semana divulgámos as quase 900 camas em Cuidados Continuados que encerraram nos últimos 5 anos devido ao subfinanciamento. Destacámos, em particular, o ano de 2026, em que já encerraram mais de 300 camas, um número superior ao total dos encerramentos registados nos três anos anteriores. Hoje, divulgamos em anexo a atualização do estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que analisou as contas de 2025 das nossas associadas, bem como de Misericórdias e de outras Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)”, avança a ANCC que sublinha que “com base nesta análise, a FEP atualizou os custos de funcionamento das três tipologias de cuidados continuados, considerando os aumentos salariais e a inflação previstos para 2026 (cenário 3 do quadro abaixo)”. A associação relembra que “desde há vários anos que alertou que este encerramento elevado de camas ia acontecer”, salientando que tem vindo a insistir que “2026 e 2027 seriam os anos mais críticos, caso não fossem tomadas medidas para corrigir o subfinanciamento”. A ANCC, na mesma nota informativa, volta a “alertar e a reforçar: se nada for feito iremos assistir ao colapso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), com consequências inevitáveis para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), devido à cegueira política que persiste em não resolver este subfinanciamento”. “Importa ainda sublinhar que as camas previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não serão suficientes para resolver o problema dos internamentos sociais nos hospitais portugueses. Desde logo, o encerramento destas quase 900 camas representa a anulação de cerca de um terço da capacidade que se pretende criar através do PRR”, manifesta a instituição. A ANCC avança, ainda, que “se o subfinanciamento persistir, o risco de encerramento não se limitará às camas atualmente existentes: abrangerá também as novas camas financiadas pelo PRR, uma vez que as instituições não terão condições financeiras para assegurar a sua sustentabilidade e suportar os respetivos custos de funcionamento”. “Sem financiamento adequado, não haverá capacidade instalada que resista”, acrescenta a associação que recorda que “os prejuízos médios das Unidades de Cuidados Continuados são enormes, destacando-se a Longa Duração (ULDM) com prejuízo diário de 18,23€ por utente (por mês é de quase 550€)”. A ANCC esclarece, ainda, que a atualização do estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e da leitura do quadro facilmente se “percebe o porquê de cada vez existirem mais unidades a encerrar – simplesmente não aguentam tamanhos prejuízos”. A ANCC afirma, ainda, aguardar a “divulgação das conclusões do grupo de trabalho criado pelo atual Governo para analisar a RNCCI, nomeadamente o seu subfinanciamento”. “Podemos desde já adiantar que na versão preliminar, à qual tivemos acesso, os custos calculados são semelhantes aos apresentados pelo estudo da FEP, apesar incorreram no erro de não calcular os salários 15 meses por ano (devido à substituição de 90% dos profissionais para férias)”, alude a ANCC. Fotografia de destaque: DR/ANCC/Facebook
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