A sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, em Penafiel, foi o cenário escolhido para o Demo Day do ONZE Scale, evento público de encerramento do programa de aceleração promovido pelo ONZE | Coletivo de Impacto”.
No dia 29 de maio, cinco startups de impacto subiram ao palco para “apresentar soluções concretas, testadas em contexto real, a uma sala composta por investidores, autarcas, diretores de hospitais públicos e privados, representantes do ensino superior e organizações sociais da região”.
“O ONZE Scale é um programa de escala que apoia organizações com potencial de crescimento e impacto social mensurável”, adianta a organização na nota informativa que nos foi enviada, sublinhando que “ao longo de vários meses, cada projeto recebeu acompanhamento personalizado, com o objetivo de criar uma estratégia para implementar a sua solução na região”.
Rui Peixoto Lira, gestor de projeto do ONZE | Coletivo de Impacto, destacou que os projetos tiveram “dois meses de trabalho personalizado com cada uma destas soluções para eles conseguirem escalar para qualquer o negócio para qualquer território. Depois perguntámos: e se fosse aqui, no nosso território, como é que melhoramos a região a partir destas soluções?"
Para Rui Peixoto Lira, o papel do ONZE não é substituir os empreendedores, mas criar alavancas, abrir portas e aproximar a inovação das entidades do território.
Uma região com potencial para ser exemplo nacional
A presença de todos os hospitais públicos e privados da região, bem como de entidades académicas com foco na área da saúde, revelou o interesse crescente do ecossistema local em incorporar inovação nos serviços prestados às populações.
A Demo Day foi também um momento de reflexão mais ampla sobre o papel do Tâmega e Sousa no desenvolvimento do país.
Rui Pedroto, em representação da Fundação Manuel António da Mota, um dos investidores sociais do programa, sublinhou o potencial estratégico da região.
"Esta é uma região com enormes potencialidades. Está encostada à área metropolitana do Porto e tem todas as condições para ser um motor de desenvolvimento do país, para nos ajudar a valorizarmos o interior e a termos um país territorialmente mais coeso, evitando a desertificação e a desvitalização geográfica de algumas regiões”, disse.
Telmo Pinto, 1.º secretário da CIM Tâmega e Sousa, partilhou a mesma visão e colocou o desafio com clareza.
"A parte mais simples é o financiamento. O grande desafio é fazer desse financiamento uma alavanca para a criação de valor e de empresas que hoje são pequenas, mas que amanhã podem ser grandes e, se possível, globais. Aquilo que é muito grande hoje, uma altura foi muito pequeno”, expressou.
Os cinco projetos que querem transformar o território
Os Startups apresentadas no Demo Day abrangem áreas distintas, mas partilham um denominador comum: o seu plano de escala foi desenvolvido a pensar nas necessidades reais das populações da região.
“Na área da saúde, três projetos apresentaram soluções com aplicação imediata; a Gripwise Tech, liderada por Ricardo Mora, desenvolveu um dispositivo inteligente e adaptável que permite a profissionais clínicos avaliar a força muscular de forma simples, rápida e precisa, a Wisify, de Tiago Andrade, aposta no desenvolvimento de dispositivos médicos de alta precisão orientados para o diagnóstico e monitorização clínica e a HC Healthcare & Innovation, projeto de Helder Palheira, criou uma plataforma digital que liga a oferta e a procura de serviços médicos ao domicílio, tornando os cuidados de saúde mais acessíveis e eficientes para quem vive na região”, reforça o comunicado.
No campo da coesão social e do turismo, “dois projetos com raízes locais mostraram estar prontos a crescer, A Casa da Abóbora, associação juvenil sediada em Aldeia, Cinfães, liderada por Joana Faria, promove a coesão social, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento comunitário em contexto de baixa densidade populacional, trabalhando diretamente com as comunidades rurais do território e o projeto Stay to Talk, de Carolina Mendes, propõe um modelo de turismo sustentável de imersão cultural no Tâmega e Sousa, transformando a hospitalidade local numa experiência autêntica e diferenciadora para quem visita a região”.
Um ecossistema a construir-se, projeto a projeto
O Demo Day encerrou um ciclo, mas abriu outro. Para além da apresentação das startups de impacto, o evento funcionou como um espaço de networking entre os vários agentes que atuam na região, criando condições para que parcerias concretas possam surgir nos próximos meses.
“O ONZE | Coletivo de Impacto posiciona-se como o parceiro que facilita estas conexões, aproximando empreendedores das câmaras municipais, empresas, hospitais e demais entidades que podem acolher, financiar ou adotar as soluções desenvolvidas”, sublinha a organização que confirma que a “ambição declarada é que estes projetos não fiquem pelo Tâmega e Sousa”.
“Alguns deles têm tecnologia patenteada, desenvolvida em Portugal, com potencial de expansão nacional e internacional”. Outros nasceram no território e estão prontos a replicar o seu modelo noutros municípios ou regiões. O que o Demo Day deixou claro é que a inovação social no Tâmega e Sousa não é uma promessa. É já uma realidade em curso”, alude, ainda, a organização.
Fotografia de destaque: DR
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