Sociedade
Janeiro 08,2026
por Miguel Sousa
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A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) destaca que “há três dias, 70 doentes permaneceram internados no Serviço de Urgência do Hospital Padre Américo, da ULS do Tâmega e Sousa, em Penafiel, sem cama disponível em enfermaria”. A FNAM avança, em comunicado, que partilhou, no seu site oficial, que “apesar de alguma flutuação, continuam cerca de 40 doentes nesta situação, prevendo-se um agravamento ao longo do fim de semana”. A FNAM esclarece, ainda, que “na sequência do primeiro grito de alerta dos médicos de Medicina Interna, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN-FNAM) reuniu com o Conselho de Administração (CA) da ULS do Tâmega e Sousa no dia 23 de dezembro, tendo sido então reafirmado que estaria a ser implementado um plano de contingência”. A federação esclarece, no mesmo comunicado, que “três semanas depois, esse plano continua a não ser conhecido pelos profissionais que diariamente asseguram cuidados em contexto de rutura assistencial”. “Isto não é um detalhe administrativo: não existe segurança clínica quando quem cuida desconhece as regras do próprio serviço em que trabalha. Pelo SMN-FNAM, exigimos que o plano de contingência seja formalmente facultado aos profissionais, com critérios claros, limites definidos e responsabilidades assumidas”, frisa a FNAM que fala em “internamentos muito acima da capacidade instalada, rácios médico/doente incompatíveis com cuidados seguros, doentes acumulados em áreas impróprias e profissionais empurrados para níveis de exaustão insustentáveis”. Nesta questão, a FNAM deixa, ainda, críticas àquilo que tem sido a política do governo em matéria de saúde. “O CA gere a escassez existente, mas quem a cria é o governo de Montenegro, ao manter um SNS cronicamente subfinanciado, sem camas suficientes, sem médicos em número adequado e sem planeamento estrutural para o internamento hospitalar. A rutura que hoje se vive na ULS do Tâmega e Sousa não é um problema apenas local — é o reflexo de uma opção política nacional. Quando o governo aceita o risco, os doentes pagam com camas que não existem e os médicos com limites que já foram ultrapassados. Essa não pode ser a forma de governar a saúde”, sublinha a federação. Refira-se que este este comunicado surge a um outro tornado público pelo Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), sindicato integrante da FNAM, em 19 de dezembro de 2025, em que este afirmava estar “solidária com médicos do serviço de Medicina Interna da ULS do Tâmega e Sousa”. À data, a federação manifestava “o seu apoio total, inequívoco e incondicional aos médicos do Serviço de Medicina Interna da ULS do Tâmega e Sousa, que tornaram pública uma posição responsável, ética e tecnicamente fundamentada sobre os limites assistenciais e a segurança dos doentes”. Nessa posição tornada pública, os médicos alertavam para os “serviços sistematicamente sobrelotados; médicos responsáveis por 15 ou mais doentes; internamentos em corredores e locais sem dignidade nem segurança; equipas exaustas empurradas para o erro”. À data, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) questionava o “CA da ULS do Tâmega e Sousa sobre que medidas concretas foram tomadas para garantir condições dignas de internamento, rácios médicos seguros e respeito pelos limites humanos das equipas”, salientando que o“ SMN-FNAM rejeita qualquer tentativa de responsabilização que recaia sobre os profissionais e aconselha todos os médicos a entregar minutas de declinação de responsabilidade funcional”,. No mesmo comunicado, a FNAM relembrava, ainda, que a “responsabilidade principal é do governo Montenegro e da Ministra da Saúde Ana Paula Martins, que mantêm o Serviço Nacional de Saúde (SNS) num estado de subfinanciamento crónico, com ausência de investimento em infraestruturas hospitalares, falta grave de médicos no SNS e degradação contínua das condições de trabalho e de prestação de cuidados”. “Enquanto os hospitais públicos operam no limite, assistimos à Secretária de Estado da Saúde a inaugurar o maior hospital privado da região do Tâmega e Sousa promovendo um investimento privado superior a 50 milhões de euros”, veiculava, então, o SMN-FNAM que declarava não aceitar "qualquer tentativa de intimidação ou responsabilização dos médicos; exigem respostas imediatas e estruturais e reafirmava que só um SNS forte, público e universal garante segurança, equidade e dignidade nos cuidados de saúde”. Fotografia de destaque: DR/ULS Tâmega e Sousa
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