O município de Penafiel homenageou, esta quinta-feira, dia 16 de julho, o Venerável Padre Américo Monteiro de Aguiar, data em que se assinalou os 70 anos da sua morte, com a colocação de uma peça evocativa no pórtico da Casa do Gaiato de Paço de Sousa.
O presidente da Câmara de Penafiel, Pedro Cepeda, destacou, no final da cerimónia, em declarações à comunicação social, que a figura, o pensamento e a obra de Padre Américo continuam a ser uma referência para muitos e para a comunidade no seu todo.
“O Padre Américo é uma figura incontornável da história de Penafiel, uma das mais importantes do ponto de vista social, nomeadamente, pela construção das casas dos pobres, foram mais de 3500 casas construídas em Penafiel em Portugal e em Angola e Moçambique. Já na altura tinha uma dimensão da importância de proteger os mais vulneráveis, destes terem um abrigo e terem dignidade. Adotou a rua e a pobreza como principais desígnios enquanto sacerdote e deixou um legado que nos deve inspirar. Além do mais é uma figura que marcou pela sua dimensão espiritual e que nos continua a inspirar e a olhar para os mais vulneráveis”, frisou, recordando que Padre Américo não fazia caridade, mas, antes, facultava ferramentas para os excluídos e os mais vulneráveis poderem vingar na vida e integraram a sociedade.
Júlio Pereira, responsável pela Obra da Casa do Gaiato, declarou que este momento revestiu-se de um significado histórico particular para a instituição, a comunidade e todos os que se reveem na obra e no projeto do Padre Américo Monteiro de Aguiar.
“O pai Américo continua bem presente na vida das pessoas, mas, também, daqueles que o conheceram e os que ficaram a conhecer através de algum escrito ou testemunho pelo que o Padre Américo continua a exercer uma influência positiva nas pessoas, na sociedade e é tratado com todo o respeito e admiração”, frisou, salientando que a instituição continua a tentar responder ao maior número de solicitações que lhe é possível.
“Existem várias dificuldades que surgem no caminho, mas nós, também, não somos a única Casa da Obra, existem quatro casas em Portugal e temos duas casas em Angola e que estão a abarrotar de crianças que, muitas vezes, cujos responsáveis estão a tentar ajudar outras crianças que não são internas. Estamos na perspetiva de fundar mais alguma casa. No entanto, é pena que não possamos, nem tenhamos liberdade para poder agir mais, acolher mais crianças. É pena, mas, às vezes, a lei, está um bocadinho fora da realidade ou é demasiado rígida e isso, por vezes, dificulta esse trabalho e essa ajuda”, manifestou, sublinhando que o Padre Américo continua a ser uma inspiração para muitos gaiatos mais velhos que continuam ligados à sua figura e à sua pessoa.
“Era necessário que o seu pensamento e o seu modo de agir pudesse ser expandido”, avançou, confirmando que a ligação à comunidade continua a ser cultivada.
O presidente da Junta de Freguesia de Paço de Sousa, Adelino Sousa, relevou, também, a importância que Padre Américo, o seu legado, assumindo que é uma figuras que permanece viva na comunidade.
“Esta homenagem é um reconhecimento do município a uma pessoa que é um dos símbolos da freguesia, pai dos pobres e dos doentes, que continua a ser uma referência para muitos e esperamos que possa vir a ser considerado Santo, até pelo legado que nos deixou”, sustentou.
Refira-se que este foi primeira homenagem pública realizada após a declaração do Padre Américo como Venerável pela Igreja Católica, em 2019, através do reconhecimento das suas virtudes heroicas.
Padre Américo nasceu em Penafiel, em 1887, e faleceu em 1956, na sequência de um acidente de viação, Padre Américo Monteiro de Aguiar foi uma das personalidades mais marcantes da ação social portuguesa do século XX.
Padra Américo foi fundador da Obra da Rua, da Casa do Gaiato, do Património dos Pobres e d’O Calvário, Padre Américo deixou um “legado único de solidariedade e proximidade, que continua presente nas instituições que criou e nos milhares de pessoas que encontraram apoio, dignidade e esperança através da sua missão”.
Faleceu em 1956, na sequência de um acidente de viação, provocou uma “forte comoção popular. Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre entre o Porto e Penafiel, onde viria a ficar sepultado na Casa do Gaiato de Paço de Sousa, espaço que permanece como um lugar de referência na preservação da sua memória”.
A evocação dos 70 anos da morte do Venerável Padre Américo Monteiro de Aguiar contou ainda com a celebração de uma missa em sua memória, na Capela da Casa do Gaiato, que reuniu representantes institucionais, responsáveis da Obra da Rua/Casa do Gaiato, familiares, antigos gaiatos, fiéis e todos aqueles que continuam ligados ao seu percurso e legado.
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