A Procissão das Endoenças, uma tradição secular que decorre em Entre-os-Rios, lugar da freguesia de Eja, no concelho de Penafiel, uma manifestação religiosa e cultural, voltou a atrair inúmeros fiéis e visitantes esta quinta-feira, à noite, a esta localidade.
As margens dos rios Tâmega e Douro voltaram a iluminar-se com milhares de velas a iluminarem as margens dos dois rios e a servirem de cenário à procissão do Senhor dos Passos, que saiu do Centro Interparoquial de Evangelização, onde decorreu a Missa da Ceia do Senhor, e deslocou-se depois para a Capela de S. Sebastião, em Entre-os-Rios, onde decorreu o “Sermão do Encontro” entre Jesus Cristo e Nossa Senhora das Dores, um dos momentos mais emblemáticos deste evento ímpar.
A passagem da procissão do Senhor dos Passos, como tem acontecido em edições anteriores, voltou a envolver a comunidade e os milhares de pessoas que distribuídas ao longo do percurso, acompanharem a passagem do cortejo religioso com fervor e devoção, numa das mais emblemáticas manifestações de fé que marca a Semana Pascal no concelho de Penafiel e a comunidade de Eja, e que envolve , também, a comunidade do Marco de Canaveses e Castelo de Paiva.
O presidente da Câmara de Penafiel, Pedro Cepeda, que participou neste evento, relevou a importância histórico e cultural das Endoenças, assim como a sua forte matriz religiosa característica da quadra que estamos a viver e que marca, também, a religiosidade da comunidade de Eja, do concelho e de toda a região.
"As Endoenças é um evento ímpar que tem tido a capacidade de atrair milhares de pessoas para as margens do Rio Tâmega e tem, sobretudo, esta caraterística de uma beleza natural ímpar, que ganha beleza com os milhares de velas que são acesas ao longo do Tâmega e Douro, num período que é de reflexão que marca esta quadra da Páscoa. Este é, também, um momento de esperança que é assinalado pela luz das velas“, disse.
O chefe do executivo penafidelense relembrou, ainda, que a autarquia, ao longo dos anos, tem implementado uma estratégia no sentido de promover este evento e potenciá-lo, também, na sua dimensão turística e económica.
“Acreditamos que o potencial que existe na freguesia de Eja, em Penafiel e no Marco de Canaveses poderá ser apresentado, no futuro, como um dos grandes eventos do ponto de vista do turismo religioso do Porto e Norte de Portugal e como tal iremos trabalhar com a Junta de Freguesia de Eja, a freguesia de Alpendurada, Várzea e Torrão, e a Câmara do Marco de Canaveses no sentido de promover, cada vez mais, esta iniciativa. Estamos a falar de um evento que tem-se afirmado e tem uma visibilidade crescente na nossa região que atrai milhares de pessoas, crentes deste evento, mas, também, mobiliza o comércio local, e a restauração”, manifestou, reiterando que as Endoenças são um evento que atravessa gerações e reforça a identidade do concelho e que reflete a cultura e a fé de toda uma comunidade e de um território.
A presidente de Junta de Freguesia de Eja, Isabel Guedes, enalteceu, também, a dimensão religiosa e cultural das Endoenças de Entre-os-Rios, assumindo que esta manifestação de fé adquiriu uma dimensão e visibilidade tal que atraiu, atualmente milhares de pessoas oriundas das mais diversas localidades.
“Este é um evento que marca a quadra pascal, que é vivido com fervor pela comunidade local, pelos mais novos que persistem em colaborar na distribuição das velas para que este evento ímpar e único continue a marcar esta quadra, a ser uma referência na freguesia e no concelho e que ao longo dos anos tem contribuído para promover a freguesa e Penafiel, assim como esta comunidade”, afirmou.
A responsável pela Junta de Freguesia de Eja reconheceu, ainda, que a realização das Endoenças envolve todo um trabalho prévio que é necessário realizar que começa com a distribuição das velas nas margens do Tâmega e Sousa, num trabalho que envolve vários grupos e conta com a participação da comunidade.
“A distribuição das velas é um trabalho hercúleo que envolve sete grupos, cerca de 35 pessoas. Isto é um trabalho conjunto da Junta de Freguesia e da Câmara de Penafiel. São cerca 25 mil velas que são distribuídas. Quero assinalar o forte envolvimento dos mais jovens neste trabalho, o que evidência e é um claro sinal de que esta tradição secular se irá perpetuar”, concretizou.
Refira-se que esta Sexta-Feira Santa, às 15h00, realiza-se a Procissão do Enterro do Senhor, que efetua o percurso inverso até à Igreja Paroquial de Santa Clara do Torrão, no concelho do Marco de Canaveses.
Reconhecidas pelo Município de Penafiel desde 2015 e integradas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, as Endoenças estendem-se pelas duas margens do rio Tâmega, envolvendo a freguesia de Alpendorada, Várzea e Torrão (Marco de Canaveses), o lugar de Entre-os-Rios (Penafiel) e ainda o lugar de Boure, no concelho de Castelo de Paiva — territórios que integram o antigo Couto de Entre-os-Rios.
A designação “Endoenças” tem origem na tradição litúrgica católica, estando inicialmente associada à Sexta-Feira Santa enquanto dia de indulgência. Com o passar do tempo, o termo passou a identificar a Quinta-Feira Santa, mantendo-se até hoje ligado a esta celebração profundamente enraizada na cultura local.
Fotografia de destaque: DR/Câmara de Penafiel/Facebook
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